2 de agosto de 2010

Os carácteres

Actualmente, em Portugal, parece que o senhor Cunha sempre trabalhou e ainda continua a trabalhar. Mas as críticas que são feitas a este senhor, por ele não levar a uma melhoria do estado do país, não é de hoje. O discípulo de Aristóteles, Teofrasto (sendo o seu verdadeiro nome Tírtamo, viveu entre o século IV a.C. e o século III a.C.), que numa obra intitulada Os Caracteres define da seguinte forma o bajulador:
"A bajulice define-se como uma prática degradante, mas lucrativa para o adulador. Eis o perfil do bajulador. Durante um passeio, diz ao companheiro: «Estás a reparar como toda a gente olha para ti? É coisa de que, na cidade, ninguém se pode gabar senão tu.» «Ontem, lá no pórtico, passaram-te um elogio. Estavam para cima de trinta pessoas por ali sentadas; e quando se pôs a questão de saber quem era o tipo mais distinto da cidade, foi por ti que todos começaram, para acabarem por voltar outra vez ao teu nome.» E, com outras tiradas do mesmo estilo. arranca-lhe um borboto do casaco, ou tira-lhe dos cabelos qualquer palhita que o vento lá tenha deixado. E a sorrir, vai dizendo: «Estás a ver? Há só dois dias que te não vejo, e a quantidade de brancas que te apareceram na barba. Se bem que se diga que, para a tua idade, tens uma barba bem preta». Se o parceiro abre a boca para falar. o bajulador manda calar toda a gente; se o outro estiver apenas a ouvir, não lhe poupa elogios; se faz uma pausa, ele vá de aprovar: «Bravo, muito bem!» Um tipo diz uma piada insossa, ele desata às gargalhadas, a tapar a boca com o casaco como se não pudesse conter o riso. A quem quer que se lhe apresente pela frente, manda parar, para dar passagem a Sua Excelência. Compra maçãs e peras para levar às crianças e dá-lhas diante do pai; a distribuir beijos à garotada, vai comentando: «Quem sai aos seus não degenera». Se acompanha um fulano ao sapateiro, afirma que o pé dele tem muito melhor proporção que o sapato. Se se vai de visita a um amigo, o bajulador corre à frente a avisar: «Fulano vem aí!»; depois, volta atrás a dizer: «Já fui prevenir.» E naturalmente também não se importa de andar pelas lojas das mulheres a fazer compras, sem sequer tomar fôlego. É o primeiro dos convidados a gabar o vinho e dos presentes a dizer: «Que requinte de refeição"» Depois deita mão a qualquer coisa de cima da mesa e elogia: «E isto aqui?! Petisco de primeira!» Criva um tipo de perguntas: se tem frio, se quer vestir alguma coisa, se quer que lhe ponha um agasalho pelas costas. E meu dito, meu feito, pendura-se-lhe ao ouvido a bichanar segredos; não lhe tira os olhos de cima, enquanto fala com o resto do grupo. No teatro, tira as almofadas da mão do escravo e coloca-as ele mesmo. Elogia a arquitectura de uma casa, o viço dos campos, a fidelidade de um retraqto. Em resumo, o bajulador pode ver-se a dizer e a fazer sempre todo o possível para cativar as boas graças."
Aquilo que me apraz referir é que actualmente continua a ser necessária a filosofia, o seu sentido crítico, problematizador, ou seja, a construção de uma sociedade melhor, mais humana e humanizadora.

6 de julho de 2010

Partida


Com a criação deste blog procura-se a participação de todos os interessados na discussão de temas, na apresentação de comentários, da instrução de todos. Este é o objectivo. Por isso, o título do blog procura reflectir essas diferenças que serão, sempre, bem aceites. Resta-me desejar: divirtam-se.